Turismo Geral

Este blog foi desenvolvido pelos alunos de Turismo da UFF, sendo parte da avaliação da disciplina Geografia 2, proferida pelo professor Hélio Evangelista. Tal espaço de discussão é destinado à analise e estudo do Turismo,contribuindo para a conscientização da importância de tal fenômeno e da possibilidade em melhorar a qualidade de vida das comunidades envolvidas. Componentes: Gabriel Sampaio, Michelle Cunha, Noelle Camello, Carolina Machado, Andressa, Carolina Gamma e Fernanda Leig

quinta-feira, dezembro 01, 2005

A IMPORTÃNCIA DOS CURSOS DE TURISMO

A IMPORTÃNCIA DOS CURSOS DE TURISMO

Na edição numero 487 do Brasilturis (agosto de 2oo2), Tasso Gadzanis, presidente da Abav, fez uma declaração oriunda do senso comum e fácil de ser ouvida por parte das pessoas não acostumadas ao meio educacional e acadêmico. Ao ser perguntado se as faculdades de turismo têm alguma importância na formação de mão-de-obra que chega ao mercado de trabalho ele disse "não" e que tem "a impressão de que o currículo deveria sofrer alterações". E evidente que a academia não pode se furtar a uma resposta elucidativa por dois motivos: essa afirmação esta equivocada e calar seriam consentir na falácia. A opinião de Tasso ainda e bastante comum em alguns bolsões da sociedade e é evidente que sua postura baseia-se na intenção de melhorar a qualidade das instituições de ensino, porem as premissas e a conclusão precisam ser melhor discutidas.
Os fatos objetivos são que, desde 1995, houve um aumento considerável dos cursos superiores de turismo (bacharel e tecnólogo), surgiram os novos cursos seqüenciais e os cursos de nível médio profissionalizantes (técnicos) foram reformulados em sua estrutura. A pesquisa da prof' Marília Gomes dos Reis Ansarah, publicada no livro Formação e capacitação do profissional em turismo e hotelaria (São Paulo: Aleph, 2002) aponta 293 cursos de bacharel em turismo no Brasil (mais 22 cursos de bacharelado em hotelaria e 19 cursos de turismo e hotelaria), seis cursos de tecnologia em turismo ( 1 em hotelaria), 18 cursos seqüenciais e dezenas de cursos técnicos (não se sabe o numero certo). Sem contar os cursos de administração com ênfase em turismo ou hotelaria (48 cursos) e os cursos relacionados com lazer e gastronomia. A pesquisa compreende um total de 425 cursos, sendo 302 em turismo "puro", um numero bem significativo.
O primeiro currículo dos cursos superiores de turismo foi proposto pelo Ministério da Educação, em 1971, era bastante aberto e com poucas disciplinas obrigatórias, o que significa que as diversas instituições poderiam adaptá-lo as suas realidades geo-educacionais. Desde 1996 a Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo (ABBTUR), a Associação Brasileira de Dirigentes de Escolas de Turismo e Hotelaria (ABDETH) e as Comissões de Especialistas de Turismo discutem as novas diretrizes curriculares com as instituições de ensino e com vários segmentos da sociedade e do mercado. Desde 1996, até o ano 2000, a Secretaria de Educação Superior do MEC passou a incluir um docente especialista em Turismo na Comissão de Especialistas em Administração. A partir de 2000 foi constituída a Comissão específica de Turismo, tendo coma primeiros membros os professores Miriam Rejowski (USP), Miguel Bahl (UFPR) e Luiz Gonzaga Godoi Trigo (Senac-SP e PUC-Campinas). Em 2002 o Conselho Nacional de Educação publicou as novas diretrizes curriculares, igualmente bastante abrangentes, e em agosto de 2002 foram nomeadas duas comiss6es de especialistas, uma para a área de turismo (com três membros) e outra para a área de hotelaria (com dois membros), pois hotelaria possui características mais específicas. Anualmente realizam-se os Congressos Brasileiros de Turismo, organizados pela ABBTUR, em que há espaço privilegiado para se discutir a educação. Inúmeros outros encontros, seminários e eventos organizados pelas instituições educacionais, órgãos públicos, associações de classe, sistema "S" (Senac, Sesc, Sebrae, Senai) e outras organizações tem discutido a formação profissional, tendências contemporâneas do turismo, formação de docentes, qualidade do ensino etc. Isso significa que, desde 1996, ha uma grande discussão nacional não apenas sobre currículo, mas sobre educação para turismo. As formalidades burocráticas de um currículo não são os aspectos mais importantes de uma educação integral. Ha que se pensar especialmente no projeto pedagógico da instituição e do curso, nas ementas das disciplinas, no conteúdo programático, nas avaliações, programas de estágios supervisionados, laboratórios e bibliografia atualizada. Tampouco a educação para turismo deve ser orientada apenas aos jovens e novos profissionais. Muitos antigos profissionais (empresários, empregados, consultores) estão obsoletos e precisam se reciclar para sobreviver nesses perigosos tempos onde a competição global ameaça os antigos modelos de organização e gestão do trabalho.
É evidente que há alguns problemas com os cursos de turismo, mas são exatamente os mesmos problemas dos outros cursos de nível superior no Brasil. Há falta de professores titulados (com mestrado e doutorado); alguns excelentes profissionais do mercado não conseguem ser aproveitados pelas escolas devido a falta de uma cultura geral mais profunda ou de metodologia pedagógica para dar aulas; o nível de leitura dos alunos e baixo; poucos falam uma língua estrangeira; e ainda ha algumas dificuldades de articulação entre academia/poder público/mercado. Esses problemas não são exclusivos dos cursos de turismo, san inerentes ao processo de desenvolvimento educacional e profissional do País porem não se pode generalizar grosseiramente e afirmar que os cursos superiores não são importantes para a formação profissional. Pode-se dizer isso sim, que existem deficiências na educac;ao superior brasileira em geral (inclusive no turismo), um fato reconhecido e identificado pelo próprio Ministério da Educação através de suas avaliações e amplamente divulgado pela mídia. Por outro lado os bolsões de excelência em todos os cursos (também no turismo) são nomeados por publicações coma o Guia do Estudante, a edição anual sobre melhores universidades da Playboy, matérias em jornais, etc.
Ha um outro argumento fundamental. Os empresários precisam entender que turismo não possui apenas aspectos econômicos ou administrativos. O turismo é um fenômeno social, cultural, político, ambiental (claro que também econômico), mas não pode ser reduzido a cifras ou métodos de gestão. Os alunos em turismo não estudam apenas para trabalhar em agencias de viagem ou transportadoras, por exemplo. Ha dezenas de possibilidades na iniciativa privada (como empregados ou empreendedores), no setor publico e nas organizações não-governamentais, no Brasil e no exterior, diretamente relacionadas ao turismo ou a áreas correlatas. Esta-se estruturando, no mundo, um complexo interligando novas áreas (entretenimento, lazer, recreação, cultura, mídia) que surgem com uma dinâmica própria nas sociedades pós-industriais (ou que nome se queira dar as formações sociais do início do século 21). Todos nos precisamos estudar, pesquisar, trocar experiências, criticar e refletir sobre tudo isso.
No campo da educação e pesquisa surge um diferencial importante para o turismo nacional que ainda e pouco conhecido pela população em geral e pelos empresários em particular. Hoje o Brasil e o país que mais produz conhecimento acadêmico na área. Nos últimos anos foram publicados mais de duas centenas de livros científicos específicos, uma quantidade (e qualidade) maior do que em qualquer pais da América Latina. Treze bacharéis em turismo já defenderam seu doutorado, cerca de 40 especialistas de outras áreas defenderam teses de doutorado e cerca de 350 dissertações de mestrado foram produzidas, sendo toda essa produção científica com o foco cm turismo. Várias editoras possuem coleções específicas a respeito (editoras Papirus, Contexto, Senac-SP, Senac-Nacional. Aleph, Futura, etc.) e dezenas de trabalhos estrangeiros foram traduzidos e publicados no Brasil.
A nossa participação em eventos internacionais também cresceu. Em agosto de 2002 o Brasil sediou pela primeira vez o 52º Congresso da Associação Internacional de Especialistas Científicos e Turismo (AIEST); o ministro Caio Luis de Carvalho representa sistematicamente o Brasil na Organização Mundial de Turismo e em outros fóruns importantes; e a sociedade tem reconhecido cada vez mais a importância do bacharel (do tecnólogo e do técnico) em turismo. Alias Caio Carvalho, enquanto presidente da Embratur, sempre reconheceu e valorizou os estudantes e professores de turismo, assim coma a Abav, ABIH, Senac, Senai, Sebrae etc. Publicações direcionadas ao trade (como o Brasilturis, por exemplo), sistematicamente abrem espaço para informações acadêmicas, sintoma de maturidade e respeito a livre discussão de idéias e posturas.
Comentando especificamente os cursos de bacharel em turismo, algumas pessoas criticam os cursos afirmando que são muito "teóricos" e pouco ligados ao "mercado". Eu tenho uma análise oposta coma educador. Os cursos mais "operacionais", ou seja, mais práticos e ligados ao "mercado" devem ser os cursos técnicos, seqüenciais e tecnológicos. Os cursos de bacharelado devem ser teóricos mesmo e penso que nossos alunos precisam ler muito mais (o índice de leitura e baixo no Brasil). O bacharelado pretende dar condições iniciais para que o profissional tenha uma visão estratégica do fenômeno turístico, possa fazer um planejamento articulado e sustentável, tenha condições de exercer um trabalho de gestão e uma postura crítica e reflexiva sobre a área. Em síntese, um embasamento teórico sólido e fundamental. o conteúdo dos cursos de turismo baseia-se no tripé ciências humanas, disciplinas de gestão e disciplinas específicas. Não existe (ou não de veria existir) uma dicotomia entre teoria e pratica na universidade, mas um trabalho que garanta maturidade e conhecimento ao futuro profissional. Após a sua graduação esse profissional está pronto para começar sua carreira e "de baixo", a exemplo de outros profissionais coma médicos, engenheiros, jornalistas e advogados. E preciso que os cursos de bacharelado exijam mais teoria de seus alunos para que justifiquem os quatro anos de aprendizagem e o titulo de "bacharel cm turismo" ou "turismólogo". Aliás, essa palavra pode não ser muito bonita, mas e a denominação que se elegeu. Como "fonoaudiólogo" ou "psicólogo", a palavra não existe apenas para ser uma marca graciosa (seria o ideal, mas não foi possível!), mas para dar precisão a um novo termo. Já existe no Brasil uma ampla comunidade científica estabelecida que discute o fenômeno turístico. São pessoas graduadas em turismo, hotelaria, lazer, economia, administração, geografia, ciências sociais, arquitetura etc. Há duas revistas cientificas reconhecidas (Turismo em análise, da USP, e Turismo Visão e Ação, da Univali-SC). três programas de mestrado (U S P. Univali-SC e Universidade de Caxias do Sul, RS). dois programas de doutorados (USP e Univali-SC). Ainda há muito a se fazer, mas atualmente a área tem representatividade e exige respeito por seus objetivos alcançados, assim como está aberta a críticas pois ainda apresenta deficiências características de setores marcados pelo ineditismo Esse ineditismo não é característica apenas do Brasil. Em vários paises do mundo o turismo é um segmento novo na comunidade acadêmica e em vários países não existem cursos "de turismo puro", mas seu conteúdo é estudado no contexto de outras áreas de conhecimento. Se temos essa marca de singularidade acadêmica no Brasil, temos que aprimorar seus conteúdos e métodos de pesquisa considerando essa oferta educacional uma vantagem competitiva importante .
Com base nessa argumentação afirmo categoricamente que os cursos superiores de turismo e hotelaria são diretamente responsáveis pelo aumento da qualidade e eficiência profissional do turismo no país, juntamente com profissionais graduados em outras áreas e com profissionais que sequer cursaram uma universidade (como o com andante Rolim Amaro que, sem terminar o nível médio, dava aulas de gestão para todos nos). Quando você for alugar um carro, fazer check in em hotel ou aeroporto, usar um restaurante ou comprar um serviço turístico qualquer repare na qualidade e desempenho do profissional que esta atendendo. Talvez você comece a se surpreender com o que existe de bom nos mais diversos lugares do Brasil. E quando você encontrar um mau profissional lembre-se de que, infelizmente, isso não e exclusividade dos bacharéis (ou técnicos e tecnólogos) em turismo. Toda categoria profissional e todo curso acadêmico pode abrigar profissionais deficientes ou de mau caráter. Essas exceções não desqualificam toda uma categoria, seja ela profissional, social ou acadêmica. '
Nos, acadêmicos, temos a obrigação de vir a publico explicar o que estamos fazendo e a comunidade tem a obrigação inalienável de exigir qualidade e seriedade cientifica dos cursos de turismo no país. Porem devo lembrar que a academia não prepara profissionais apenas para o "mercado" (usei essa palavra sempre entre aspas porque não expressa a totalidade de uma realidade), mas para a sociedade em geral, pois um pais que possui os nossos índices de concentração de renda, violência, ignorância e corrupção precisa de conhecimentos mercadológicos sim, mas acompanhados dos conceitos de ética, educação integral, sustentabilidade e cidadania.

Luiz Gonzaga Godoi Trigo é graduado em Turismo e Filosofia; doutor em educação pela Unicamp; membro dos Comitês Assessores do Ministério da Educação na área de Hotelaria; professor da PUC-Campinas e assessor educacional do Senac-SP e também autor de vários livros.

Artigo publicado no BrasilTuris Jornal, edição da 2ª quinzena de setembro de 2002, páginas 20 e 21

quarta-feira, novembro 30, 2005

Profissional de turismo ganha por lei a qualificação de turismólogo

O secretário estadual de Turismo Sergio Ricardo de Almeida disse nesta sexta-feira que a aprovação, pelo Senado, do projeto que define a profissão de turismólogo corrige uma aberração da legislação que até então não reconhecia como específica a atividade dos portadores de diploma de curso superior de turismo.”O Aurélio ganhou uma palavra nova e o mercado uma categoria profissional que até então não tinha nome nem qualificação definida”, disse o secretário. Para ele, a lei adquire importância ainda maior por regulamentar uma atividade profissional, não reconhecida, mas de grande expressão no mercado. “O turismo é um dos segmentos mais dinâmicos da economia moderna, basta ver que, de cada onze empregos existentes no mundo, um é gerado pela atividade turística”, acrescenta Sergio Ricardo. Ele acredita que, além de atender a uma antiga reivindicação dos estudantes de turismo, o reconhecimento da profissão vai contribuir para aumentar a atividade turística no país.

A proposição, que agora segue para a sanção do presidente da República e ainda deverá ser regulamentada, considera turismólogo todo aquele que tem curso superior de turismo ou que vem exercendo a profissão de maneira ininterrupta há pelo menos um ano até a publicação da lei. O Plenário rejeitou emenda da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania que pretendia estender esse prazo para quatro anos como condição para o efetivo exercício profissional dos não portadores de diploma de curso superior de turismo.

No próximo dia 19, em Brasília, durante a realização do Congresso Brasileiro de Turismo, será proposta a criação do Conselho Federal de Turismo, órgão com a função reguladora e fiscalizadora da profissão..

No estado do Rio de Janeiro, a mão de obra atualmente ocupada no setor de turismo chega a 300 mil empregos, 80% dos quais concentrados na Capital. Consolidados na década de 1990, os 546 cursos de turismo em nível superior existentes no Brasil formam anualmente cerca de 5.000 profissionais, em boa parte aproveitados em carreiras técnicas e postos gerenciais do mercado de turismo, de acordo com a Associação Brasileira de Bacharéis de Turismo – ABBTur. Só no Rio, no ano passado, houve 14 concursos para seleção de profissionais do setor. No interior do Estado ele também avança, numa ordem de crescimento de 15% ao ano - levando emprego, desenvolvimento e qualidade de vida para o cidadão fluminense.

ítulo: Qualidade dos Destinos Turísticos

Autor: Nivia de Oliveira ? Turismóloga, pós-granduanda em Gestão de Pessoas UFMG, gerente de reservas da ROYAL TOWERS hotéis. Contato: (31) 9712-8468


Uma localidade para crescer necessita do envolvimento de todos os setores da comunidade independente do seu tamanho. Assim ela precisará de supermercados, lojas de roupas, eletrodomésticos, etc., bem como hospitais, saneamento básico, energia, comunicação, vias públicas, postos policiais, etc.

Com o destino turístico é um pouco mais complexo porque, para a atividade funcionar bem, ela precisará além da infra-estrutura básica, da infra-estrutura turística que compreendem os atrativos (naturais, históricos ou culturais), os meios de hospedagens e de transportes, as agências de turismo, os restaurantes, além de centros de informações turísticas, locais para eventos e outros. Infelizmente há casos em que graças ao turismo algumas localidades ganham padrões de qualidade de vida e infra-estrutura básica.

Desta forma a qualidade do destino turístico depende do desempenho dos diversos setores envolvidos sejam públicos ou privados e da sua perfeita interação. Sendo assim, se apenas um elo desta cadeia se preocupar com o seu desempenho, o resultado pode não ser compensador se pensarmos na imagem a que se propõe para o destino. Por outro lado se este elo decepcionar o turista ele prejudicará todo o sistema. É por isto que ouve-se dizer que um determinado lugar é ruim porque um hóspede foi mal tratado em um hotel.

É importante destacar que na maioria dos casos a viagem é programada fora do destino inclusive fora do próprio estado ou país enfatizando a necessidade das empresas responsáveis pelo turismo emissivo (agentes de viagens e transportadoras) não só ter consciência das dificuldades estruturais da localidade para onde estão encaminhado seus clientes (turistas), bem como contribuir para a melhoria do mesmo. Afinal é ali que começa a qualidade do produto turístico e o sucesso da viagem e do local implicam diretamente no seu crescimento.

Diante do fato de que o turismo é uma atividade essencialmente de serviços é questão de sobrevivência o desenvolvimento técnico e comportamental das pessoas envolvidas. Se pelo menos cada setor fizesse sua parte treinando seu pessoal já seria um progresso, entretanto as empresas de consultoria e treinamento se deparam com um grande desafio em provar para proprietários de que conhecimento não é custo, e sim investimento no próprio negócio.

Participação da comunidade econômica e social através de associativismo e cooperativas é a saída para se promover a qualidade do destino turístico, pois, através do planejamento e da busca pela eficiência coletiva* se alia conhecimentos e interesses comuns a favor do desenvolvimento local sustentável.

*SCHIMITZ (1996)

quarta-feira, novembro 23, 2005

Entrevista com o Professor Aguinaldo Fratucci

1. Conte-nos sobre a sua formação e de sua trajetória na área de turismo:
Sou graduado em arquitetura pela Universidade Santa Úrsula do Rio de Janeiro. Ainda como estagiário entrei para a Cia. de Turismo do Estado do Rio de Janeiro - TurisRio, onde permaneci até 2002, tendo passado, praticamente, por todos os setores técnicos da empresa. Em 2002 desliguei-me do cargo de assessor especial da presidência da TurisRio para dedicar-me á área de docência e pesquisa. Em 2000 concluí o mestrado em geografia pela UFF, onde apresentei uma dissertação sobre o ordenamento territorial do turismo no Estado do Rio de Janeiro. Atualmente estou cursando um MBA em turismo, Planejamento e Marketing pela Universidade Católica de Brasília e, faço o doutorado em geografia na UFF.

2. Devido a que você considera que a profissão ainda não foi regulamentada e o que isso implica para os futuros e atuais turismólogos?
Penso que a profissão ainda não foi regulamentada em razão de uma certa pressão por parte dos empresários do setor que temem as conseqüências que tal fato irá implicar, em termos de direitos trabalhistas. Além disso, credito também a demora nesse processo de regulamentação, a uma certa desarticulação dos profissionais de turismo, que não fortalecem o seu órgão de maior representatividade atual, que é a ABBTUR. Essa desarticulação não permite uma pressão mais firme junto ao Congresso Nacional para agilizar o processo de regulamentação da profissão.

3. Muitas pessoas que são formadas um turismo não trabalham na área. Por que você considera que isso ocorra e como reverter tal situação?
Os fatores desse fato são muitos. Em todas as áreas existem muitos profissionais formados que não exercem a profissão. Basta olhar para a área de direito e veremos que uma grande parcela dos bacharéis sequer tem a carteira da OAB. Na nossa área penso que muitos alunos não entendem direito quais as atribuições do profissional de turismo e acabam fazendo o curso sem muita objetividade.

4. Qual é a importância do curso de Turismo da Universidade Federal Fluminense e qual seu principal diferencial?
O curso da UFF, junto com o da UNIRIO veio dar um diferencial que não tínhamos no Estado do Rio, que era a oferta de graduação em turismo em universidades públicas. As instituições privadas mantêm um foco muito direcionado para o mercado e, isso faz com que a produção científica no Rio seja muito aquém do que deveria ser. Para comprovar, basta analisarmos quantos títulos são publicados no Rio sobre turismo. Penso que com esses dois cursos públicos teremos um up grade nas áreas de pesquisas científicas e de produção acadêmica.

5. Como você analisa o novo Ministério do Turismo, seu plano e metas? De acordo com a conjuntura atual, você considera que este terá continuidade, visto a proximidade das eleições?
Politicamente foi ótimo ter sido criado um Ministério de Turismo. Isso mostra a importância que o setor tem dentro da estrutura do governo atual. Pena que estejam dando total prioridade ao lado econômica do turismo, vendo-o apenas como um gerador de receitas, empregos, etc... Sinto falta de uma discussão mais aprofundada sobre os impactos e s oportunidades que o turismo pode trazer para o país. Falar em continuidade nesse momento de tantas CPI`s, fica complicado. Tenho um pouco de receio de que teremos uma descontinuidade e, isso pode levar a perdas importantes sobre o que já foi construído nos municípios turísticos brasileiros. Coisa, aliás, que já aconteceu com a criação do programa de regionalização sem que fossem aproveitados os avanços que o PNMT tinha conseguido no país.

6. O que você considera faltar, no nível acadêmico, em nossa área e o que isso (caso fosse executado) representaria para os estudantes e profissionais envolvidos?
Faltam, em nosso estado, cursos de pós-graduação (lato sensu, mestrado e doutorado) na área de turismo. Essa falta leva a uma carência muito grande de docentes habilitados para cobrir todo o universo de cursos de turismo que abrem a cada semestre. A ares de docência é uma daquelas que o bacharel deve ocupar, mas, para isso, precisa se especializar. Sem esses cursos em nosso estado, torna-se difícil, e poucos são aqueles que podem ir para outros estados para os cursarem.

7. Deixe uma mensagem para os estudantes:
Acreditem em vocês e, tenham em mente que a regulamentação da profissão não irá criar um mercado novo para todos. Ela é fundamental do ponto de vista político e histórico, mas os bacharéis precisam saber que o mais importante é serem competentes dentro das suas áreas de atuação. Vivemos num momento de alta competitividade entre os profissionais e, o mercado só absorve aqueles que realmente sabem o que fazem. Paralelo a isso se articulem mais e fortaleçam sua entidade de classe atual, para poderem ser mais ouvidos nas diversas esferas do governo e pelo próprio mercado.


Entrevista realizada por Gabriel Sampaio Silveira em 08/11/2005

terça-feira, outubro 11, 2005

Título: O SUCESSO DO TURISMÓLOGO DEPENDE DE SUA POSTURA ENQUANTO ESTUDANTE

Autor: ROSEMEIRE DOS SANTOS PEREIRA


Uma pesquisa realizada recentemente constatou que os universitários de Turismo estão basicamente divididos em três grupos. No primeiro grupo estão os que escolheram essa profissão porque buscam um maior conhecimento sobre a história do país e do mundo, deseja conhecer diferentes lugares, transmitir toda essa encantadora magia para outras pessoas e, porque preferem estar em contato com o público em geral.

O segundo grupo detesta matemática e sua opção por Turismo foi feita por sua vontade de fugir da área de exatas. Já o terceiro grupo parece ter maior consciência política e buscou o curso por acreditar que somente o Turismo poderá mudar a dura realidade do país, por ser um fenômeno social, econômico e cultural complexo e diversificado.

Enquanto universitários, aprendem línguas (o básico, claro! é necessário um conhecimento maior), História Geral, Geografia, A&B (Alimentos e Bebidas), Economia, Eventos, Política, Hotelaria, Agência de Viagens, Meio Ambiente, e muitas outras matérias que encantam o estudante (e para isso precisam encontrar professores experientes e que transmitam o conteúdo de maneira diferente, para que seja melhor assimilado). E dessa forma começam a se identificar com a área que mais lhe agradam.

No último ano apresentam o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), que geralmente está relacionado a assuntos referentes à área escolhida, fazem o estágio obrigatório e, uma vez formados, entram no competitivo mercado de trabalho. Mas se tudo é tão fácil assim , o que acontece com os milhares de Turismólogos, que para sobreviverem, arranjam emprego muitas vezes em áreas totalmente distintas do Turismo?

Será que o curso não os tornou profissionais qualificados? Será que a economia do país atrapalha e por isso não se encontra emprego no Turismo? Será que o governo não incentiva o Turismo no país? Será que o Brasil não tem potencial para o Turismo? Ou será que o profissional não está qualificado para enfrentar o mercado de trabalho após quatro anos estudando todo o conteúdo?

Muitas questões poderiam ser feitas ainda para explicar porque o mercado é tão amplo e ao mesmo tempo tão afunilado, e porque os profissionais da área saem das Universidades e não encontram emprego.

Lembro-me de uma certa vez, que um professor recém chegado na Faculdade olhou para a sala e perguntou para cada aluno: “Por que estão aqui? Para conseguirem um diploma, ou realmente se tornarão profissionais qualificados e requisitados no país e talvez no exterior? Vocês trabalham para que a atual realidade mude? Procuram estudar, pesquisar, ler e também escrever sobre o Turismo?”.

Acredito que a maioria das pessoas que estão lendo esta matéria, já sabem qual foi a resposta....

A maioria dos estudantes vai para a Universidade, assiste às aulas, conhece os conteúdos programáticos e os estudam somente no período de aula ou no período de prova; talvez porque tenha uma vida corrida onde precisa associar trabalho e estudo (a dura realidade do país), ou talvez porque não percebe que dessa maneira será somente mais um com um diploma na mão que sai procurando emprego no competitivo mercado de trabalho.

Mas acreditem - na vida nada é de graça, tudo tem um preço, e quando lutamos e conquistamos algo, o sabor da vitória nos faz crescer e querer muito mais. E somente dessa maneira seremos profissionais requisitados, verdadeiros “Turismólogos”

Não é necessário saber tudo, mas torne-se especialista em alguma coisa, procure se identificar com algo que goste muito e estude, pesquise, trabalhe suas idéias, seja um expert no que escolher e, em pouco tempo alcançará o sucesso, tão procurado por todos e alcançado por apenas alguns.

Seja diferente, crie, inove, nunca pare de estudar e trabalhar, porque como já dizia o velho ditado: “o trabalho dignifica o homem”, e ainda o torna um vencedor por toda a vida.

É necessário que o estudante de Turismo reavalie sua maneira de pensar e seus costumes mediante a Universidade e, posteriormente, ao futuro mercado de trabalho.

Portanto estude sempre, dedique-se, trabalhe muito, pois trabalho e sucesso caminham juntos.

Boa sorte à todos!!!

sexta-feira, setembro 30, 2005

O Turismo Ecológico Sustentável
por Enrique Blanco
"(...)Uma nova forma de consumo ligada ao meio ambiente está se desenvolvendo nos últimos anos: é o turismo ecológico. Gostaríamos de ressaltar, antes de tudo, que o turismo ecológico é uma forma de consumo da natureza, e é este o principal motivo que o obriga a ser realizado de forma consciente, isto é, de maneira sustentável. Com efeito, parece que não se tem dado a devida atenção a este fato, qual seja, que o turismo é uma forma de consumo. A realidade de mercado prevê, através da lógica de consumo, que os produtos sejam constantemente repostos para que os clientes possam comprá-los, fenômeno que, obviamente, é impossível ocorrer com a natureza. Mas, apesar de o “produto” natureza ser bem mais nobre do que uma mera garrafa de refrigerante, e nos parecer, à primeira vista, que o mundo natural nunca vai se acabar, não nos enganemos: o turismo, antes de ser ecológico, é uma forma de consumo.Partindo desse princípio, muito tem-se falado sobre a importância do turismo ecológico para a economia dos estados e dos países que possuem, por dádiva da natureza, verdadeiros paraísos terrestres com belas paisagens, animais exóticos e um ritmo de vida muito tranqüilo e aprazível. De fato, seria um equívoco não aproveitar tais recursos naturais como fonte de renda reversível em benefício das populações locais, ao mesmo tempo que se deve promover a preservação das suas tradições e dos seus costumes, pois tais populações sempre sofrem alguma forma de influência, nem sempre positiva, da cultura e dos hábitos dos visitantes.
No entanto, não só a cultura desses povos vem sofrendo o impacto da presença cada vez maior e desorganizada dos turistas ecológicos. A natureza, que sempre teve o papel de seduzir o viajante, está sendo desprezada e encarada como mais um produto de consumo nas “excursões verdes”. A natureza, sempre considerada a causa e origem do ecoturismo, tem se tornado o alvo da Indústria do Lazer. Isso não seria um grande problema, se esse lazer fosse feito de maneira consciente. Mas, infelizmente, não é o que se tem verificado. O homem contemporâneo sente a necessidade de consumir seu tempo livre de maneira frenética e aleatória, realidade essa comprovada, por inúmeras pesquisas de mercado. De fato, podemos identificar o resultado de todo esse processo num fenômeno que nos parece extremamente problemático: a prática irresponsável e predatória do turismo ecológico, baseada na deturpada idéia contemporânea de natureza, em que consiste entender o mundo natural, fundamentalmente, como um produto de consumo(...)."
A partir da idéia acima e ,aproveitando a proximidade do Fórum Mundial de Turismo, que tem como base a promoção da paz e do Turismo Sustentável, gostaria de abrir a seguinte pergunta:
É realmente possível o desenvolvimento do Turismo ecológico sustentável???
Acredito que sim, através de planejamentos adequados, estudos, conscientização e, claro, a presença ativa de profissionais qualificados: Turismólogos, biólogos, geógrafos etc
Vamos, dêem a sua opinião, participem. Ass: aluna Fernanda Leig

quinta-feira, setembro 22, 2005

O turismo é uma atividade, uma indústria, um setor, um fenômeno?! É considerado como uma economia do setor terciário, ou seja, de serviços e é também, a terceira economia do mundo...Acredito, realmente, que pode trazer diversos benefícios para a localidade aonde o mesmo é desenvolvido, gera divisas e muitos fatores positivos. Porém,a velocidade com que tem se propagado seu desenvolvimento no Brasil e no mundo, permite reflexoes quanto aos seus objetivos. O fato é, que aqui no Brasil, a atividade nao é regulamentada e isso é um ponto negativo, pois como qualquer outra faz-se necessário profissionais qualificados.Além do que, a ausência de planejamento(...)acaba por gerar crescimento descontrolado na localidade, que leva à descaracterização e perda de originalidade dos recursos que motiva o fluxo de turistas. E assim começa a decadência da localidade como destino turistico.(in ANSARAH, 2001:85)